E.E. Sebastião Coimbra Elizeu
Água Doce do Norte - ES
Escola 100% presente
Em busca de bons tempos
Docentes visitam casa de alunos para convencê-los a voltar para a escola. Iniciativa reduziu a evasão no Espírito Santo.
O chamado Tempo das Águas é visto com preocupação na pequena Água Doce do Norte (ES), cidade de dois rios e 7 mil habitantes. As chuvas provocam a cheia dos rios, alagam casas, destroem as ruas e chegam a afastar as crianças da escola, ao inviabilizar o transporte escolar. Essa situação motivou o projeto "Escola 100% presente", da escola Sebastião Coimbra Elizeu.
"Os alunos faltavam muito porque as estradas estavam danificadas. O ônibus, fornecido pela prefeitura em parceria com o Estado, não conseguia passar e, por alguns meses, esse trabalho foi suspenso por problemas de licitação", conta a professora de geografia do ensino médio.
Os docentes começaram então a visitar cada casa para convencer os alunos a retornar à escola. Alguns estavam receosos, por considerar difícil recuperar o tempo perdido, mas aceitaram o desafio. No retorno às aulas, retomaram as lições, e com as docentes, montaram o projeto.
Inicialmente, a ação tinha caráter assistencialista, com campanhas de arrecadação de roupas e alimentos em prol dos necessitados. Meses depois, a missão ampliou-se. A mobilização é intensa, com iniciativas diversas. A cada momento brotam novas idéias. Quando se nota aumento no volume de um rio, por exemplo, as famílias que moram por perto são avisadas, para que possam se precaver.
Em sala, os alunos começaram a analisar questões de geografia: a formação da chuva, as condições do solo, a erosão e os deslizamentos de terra, entre outros assuntos.
O conhecimento adquirido aumentou a mobilização, e os alunos passaram a visitar as famílias, uma a uma, para falar do risco enchentes. Além disso, quando elas acontecem, a escola serve de abrigo para a comunidade. "Tomamos conta das crianças enquanto os pais tentam recuperar o que perderam na enchente ou saem em busca de ajuda", lembra a professora.
Iniciado em outubro de 2004, o projeto já produziu efeitos em diversas áreas: diminuiu a evasão, propiciou estudos sobre fatos e condições regionais - como indicado nos PCNs - e aumentou a participação da comunidade no cotidiano educativo. Aos poucos, as chuvas deixam de ser sinônimo de abandono escolar.