Escola Municipal Vera Aparecida Ribeiro
São Paulo - SP
Monitoria
A linguagem da inclusão
Jovens surdos ensinam Libras a crianças de escola pública.
Jovens surdos ensinam Libras (Língua Brasileira de Sinais) para crianças e familiares. Essa é a história de sucesso do trabalho educativo da escola de educação especial Vera Lúcia Aparecida Ribeiro, em São Paulo (SP). No projeto Monitoria, adolescentes surdos da 5ª a 8ª série atuam voluntariamente, fora de seu horário de aula, como monitores de Libras para crianças surdas a partir de 3 anos de idade provenientes de classes especiais ou de inclusão, promovendo a integração social desses pequenos estudantes na família e na escola.
A atividade surgiu em 2002, como parte do projeto político pedagógico da escola. Um dos objetivos principais é aplicar a proposta de educação de surdos embasada no modelo bilíngue, ou seja, adquirir a Libras como primeiro idioma e ensinar a língua portuguesa escrita como segundo.
De acordo com a coordenadora pedagógica da escola, se o direito linguístico do surdo for respeitado, seu desenvolvimento intelectual será equiparado ao de qualquer criança ouvinte. Assim, a criança surda deve ser exposta à língua de sinais o mais cedo possível, para que possa adquiri-la como primeira língua.
No início, os educadores contaram com assessoria pedagógica financiada pela prefeitura. Depois, buscaram outras fontes de informação, ainda restritas, algumas delas provenientes de publicações suecas oferecidas por uma professora universitária, e adotaram a proposta na escola.
O projeto é realizado com o apoio de obras literárias e contribui para o processo de letramento, estimuando o interesse pela língua portuguessa escrita - ensinada na escola por professores especialistas - como segunda língua. O processo envolve a escolha da história a ser trabalhada e sua montagem com recursos cênicos e multimídia.
Como resultado, a escola vem percebendo progressiva ampliação do vocabulário das crianças em Libras, maior interesse por leitura e escrita, desenvolvimento da comunicação e aumento da auto-estima e da autonomia, construindo, assim, a identidade surda de crianças e adolescentes que se percebem como diferentes, sujeitos visuais, e não mais deficientes