"É possível zerar o deficit de bibliotecas no Brasil", afirma o diretor de formação, materiais didáticos e tecnologias para a Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Marcelo Soares. No cenário atual do País, segundo levantamento do Todos Pela Educação, faltam 93 mil acervos apenas no Ensino Fundamental.
Na opinião de Soares, a continuidade do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) e a articulação com os governos estaduais e municipais serão suficientes para que o Brasil tenha uma biblioteca por escola até 2020, como determina a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de maio.
Desde que foi criado em 2007, o PNBE distribuiu mais de 40 milhões de livros de literatura para as escolas de Educação Básica das redes municipais e estaduais do todo o Brasil, informa a Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC.
No entanto o Censo da Educação Básica de 2008 mostra que apenas 22,9% das escolas do Ensino Fundamental e 18,2% das de Educação Infantil constituíram seus acervos. Veja a entrevista com Soares:
Todos Pela Educação: Por que é importante que cada escola tenha uma biblioteca? Marcelo Soares: A biblioteca na escola pode constituir um espaço importante para o desenvolvimento do gosto pela leitura e formar novos leitores.
Todos Pela Educação: De acordo com o estudo realizado pelo Todos Pela Educação, o Brasil precisa criar 25 bibliotecas por dia durante dez anos. É possível atingir essa meta? Marcelo Soares: Ao estabelecer o prazo de dez anos, o legislador certamente levou em conta os dados atuais da Educação brasileira. Com o trabalho conjunto de municípios, estados e do governo federal, o MEC acredita que essa meta será atingida. Quando se fala em biblioteca escolar, o grau de complexidade de estruturação segue a diversidade da realidade das escolas brasileiras. Assim como temos escolas com 400, 500 alunos, que exigem uma biblioteca com um grau de complexidade maior, existem escolas que têm uma ou duas turmas de 50 alunos. Ou seja, as características dessas 93 mil bibliotecas não são as mesmas.
Todos Pela Educação: Como a lei sancionada pelo presidente Lula pode contribuir para universalização das bibliotecas?
Marcelo Soares: Na medida em que a lei exige a existência de bibliotecas em todas as escolas públicas e privadas do País, ela contribui para que a sociedade se mobilize, e os diferentes entes da federação devem se unir ainda mais em torno desse desafio.
Todos Pela Educação: Como funciona o PNBE?
Marcelo Soares: Por meio do PNBE, o MEC seleciona e distribui livros de literatura e de pesquisa de diferentes títulos e gêneros para as escolas. São livros de contos, romances, de tradição popular, poesia, e inclusive de história em quadrinhos. O programa foi criado em 1997 e já tem um calendário definido: em um ano são atendidas as escolas de Educação Infantil, dos anos iniciais do Ensino Fundamental e de Educação de Jovens e Adultos (EJA); no seguinte, as escolas de Ensino Médio e dos anos finais do Ensino Fundamental.
Todos Pela Educação: Qual é a perspectiva de distribuição de livros para os próximos anos?
Marcelo Soares: Para os próximos anos, a perspectiva é de dar continuidade a essa política do PNBE e manter a regularidade do programa. Ainda não temos metas quantitativas. Mas é importante que, além do governo federal, os governos estaduais e municipais tenham políticas para fortalecer cada vez mais as bibliotecas nas escolas públicas, inclusive com a distribuição de acervos.
Todos Pela Educação: O problema da falta de livros é maior justamente nos primeiros anos da Educação Básica, idade em que a criança é alfabetizada e adquire o hábito de ler. Existe uma atenção especial do programa para essa etapa de ensino?
Marcelo Soares: O programa incorporou a Educação Infantil e deu regularidade à organização e distribuição de acervos para todas as etapas da Educação Básica. Com essas iniciativas, a lacuna identificada pelos estudos realizados certamente será preenchida de modo mais rápido.
Todos Pela Educação: Segundo a Pnad de 2008, há aproximadamente 21,6 mil bibliotecários habilitados para cuidar desses acervos. O que é preciso fazer para formar gestores capazes de incentivar a leitura em cada uma das 200 mil escolas do País?
Marcelo Soares: A questão das bibliotecas escolares deverá ser assegurada no currículo dos cursos de biblioteconomia. Por um lado, é preciso dar continuidade à política nacional de formação de professores. Por outro, a nova realidade que se desenhará vai produzir mudanças importantes no âmbito dos cursos de biblioteconomia e eles terão uma demanda maior.
Fonte: Todos Pela Educação